segunda-feira, 14 de julho de 2014

Castelo de Leiria – Leiria (Portugal).

Monumento emblemático da história da cidade e do país, a configuração actual do castelo de Leiria resulta de quatro grandes períodos interventivos: o Românico do século XII; o Gótico dionisio, da primeira metade do século XIV; Gótico joanino, de inícios do século XV, e as correntes restauradoras de finais do século XIX e primeira metade do século XX.


Pouco sabemos acerca das primeiras obras do castelo. A sua relevância militar, numa zona de transição entre Coimbra e Lisboa, determinou a construção de um dos principais redutos defensivos do tempo de D. Afonso Henriques, mas a verdade é que o que hoje podemos observar é muito mais fruto de campanhas posteriores. A torre de menagem, de robusta secção quadrangular, é disso um exemplo, tendo sido iniciada apenas em 1324, em pleno final de reinado de D. Dinis.

A dinastia de Avis escolheu este castelo como um dos principais monumentos simbólicos da sua autoridade e poderio. O paço de D. João I é uma construção exemplar, de grande rigor construtivo e estético. Impõe-se sobre a muralha medieval, que aproveita como parede e alicerce, e organiza-se em quatro andares, de estudada racionalidade e operatividade. Os dois pisos inferiores, destinados a arrecadações e serviços domésticos, praticamente não se vislumbram do exterior, ocultados pela robusta massa pétrea do castelo. Os dois superiores possuem tal impacto visual que se assumem como imagem de marca do próprio castelo e, até, da cidade.

Destinados à família real e às recepções por si patrocinadas, são um dos mais impressionantes conjuntos de arquitectura palaciana de carácter real que nos chegaram da Idade Média. Na face virada ao burgo, sobre a muralha, uma ampla e muito restaurada loggia, de oito arcos de capitéis geminados, foi concebida como espaço de lazer e de convívio, aproveitando a panorâmica sobre a cidade (BARROCA, 2002, p.95). Para esta loggia acedia-se através de uma sala de cerca de 130m2, designada por Aula Régia ou Salão Nobre, espaço destinado, pelo monarca, à audiência e recepção. Contrapondo-se à loggia, um vestíbulo antecedia a entrada nesta sala, formando-se, assim, uma primeira linha de simetria do conjunto.

Um segundo eixo de simetria era formado pelas dependências extremas do paço, destinadas aos quartos de dormir e de privacidade da família real, dotados de andar superior (que formavam duas torres harmónicas na silhueta do conjunto) e providos de lareiras e latrinas (VIEIRA DA SILVA, 1995, p.121).

Do paço à capela palatina acedia-se por um passadiço. Essa capela não era mais que a igreja de Nossa Senhora da Pena, ou de Santa Maria do Castelo, o primeiro templo da cidade, documentado logo na década de 40 do século XII (GOMES, 1995, p.187) e que, no reinado de D. João I, foi totalmente refeita. É um pequeno templo, de nave única, com alto arco triunfal apontado, capela-mor poligonal relativamente iluminada e entrada principal lateral, enquadrada por um gablete.

A obra da igreja revela grande homogeneidade para com a do paço e constitui um dos monumentos de referência da arte gótica de inícios do século XV, ao reflectir fielmente os esquemas estéticos do grande monumento dessa centúria: o Mosteiro da Batalha. Com efeito, são muitas as características batalhinas que aqui encontramos, desde a semelhança da capela-mor para com os absidíolos de Santa Maria da Vitória, os capitéis vegetalistas a dois registos e de folhagem exuberante, até às marcas de canteiro, a maioria repetindo outras da Batalha (GOMES, 1995, p.205).

No reinado de D. Manuel, fizeram-se obras no templo, como o prova a flora e perfil das mísulas que suportam a abóbada da sacristia, mas os séculos seguintes caracterizaram-se por um progressivo abandono de toda a estrutura militar leiriense. Na segunda metade do século XIX, quando Ernesto Korrodi pertendeu intervir no conjunto, grande parte do complexo medieval estava em ruína e a sua feição actual data das grandes campanhas restauradoras conduzidas nos anos 40 do séc. XX.

Fonte: Portugal +
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